quarta-feira, maio 10

Freud visto de fora

O Ivan fez uma excelente síntese do chinfrim que percorreu os jornais a propósito da comemoração dos 150 anos do nascimento de Freud [como o tempo passa depressa]. Acrescento dois depoimentos antagónicos:

Richard P. Feynman:

«(…) a psicanálise não é uma ciência: é quanto muito um processo médico, e talvez mais semelhante a coisa de curandeiros. Possui uma teoria sobre o que causa as doenças e outras coisas – muitos “espíritos”, etc.. O curandeiro tem uma teoria de que uma doença tal como a malária é causada por um espírito que vem pelo ar; ela não se cura agitando-se uma cobra sobre a cabeça do doente, mas o quinino ajuda no caso da malária. Por isso, se estiverem doentes, eu aconselharia que fossem ao curandeiro porque ele é o homem da tribo que mais conhece sobre a doença; por outro lado, os seus conhecimentos não são ciência. A psicanálise não tem sido cuidadosamente verificada pela experimentação, e não há modo de se descobrir uma lista do número de casos em que ela resultou, e do número de casos em que não resultou, etc..»

Seis Lições sobre os Fundamentos da Física, Presença, Lisboa, 2000, pp. 89-90

Louis Althusser:

«(…) antes de Marx, apenas dois grandes continentes tinham sido abertos ao conhecimento científico por cortes epistemológicos contínuos: o continente Matemáticas com os gregos (por Tales, ou o que o mito deste nome designa) e o continente Física (por Galileu e os seus sucessores). Uma ciência como a química iniciada pelo corte epistemológico de Lavoisier é uma ciência regional do continente física; toda a gente sabe agora que é aí que a química se insere. Uma ciência como a biologia que há apenas uma dezena de anos terminou a primeira fase do corte epistemológico iniciado por Darwin e Mendel, integrando-se na química molecular, entra também no continente física. A Lógica, na sua forma moderna, pertence ao continente Matemáticas, etc.. Em compensação é provável que a descoberta de Freud abra um novo continente, que apenas começámos a explorar.»

Lenine e a Filosofia, Estampa, Lisboa, 1970, pp. 31-32

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